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20/12/2018

Nas últimas décadas houve um aumento em considerável do uso de eletroeletrônicos nas residências, comércios e indústrias. O consumo de energia em todo o território nacional cresceu muito e, embora possa refletir o aquecimento econômico e a melhoria da qualidade de vida, tem aspectos preocupantes. Um deles é a possibilidade do esgotamento dos recursos utilizados para a produção de energia.

A malha elétrica brasileira

Na malha energética brasileira, a energia hidrelétrica é a principal fonte de energia para geração de eletricidade, correspondendo a mais da metade da matriz geradora nacional. Apesar de não ocorrer emissão de poluentes para a atmosfera, as usinas hidroelétricas produzem um impacto ambiental ainda não adequadamente avaliado, mas enorme, devido ao alagamento de grandes áreas cultiváveis e, além disso, as reservas brasileiras para geração hidroelétrica tendem a se esgotar nas próximas décadas. Esse elevado consumo de energia também aumenta a utilização de recursos fósseis, fazendo com que o setor de geração de energia seja o maior contribuinte mundial para emissão de gases de efeito estufa. A energia nuclear não é uma alternativa adequada devido aos riscos associados à sua utilização na produção de eletricidade e ao problema do armazenamento dos rejeitos radioativos gerados na operação das usinas nucleares.


No contexto atual, de mudança climática e necessidade de redução das emissões globais de gases de efeito estufa, a integração de fontes renováveis intermitentes no sistema elétrico tem encontrado espaço e se tornado inevitável A expectativa de crescimento energético nacional para os próximos 30 anos é 4 vezes superior à atual, apresentando uma baixa na oferta de energia proveniente de hidrelétricas e um crescimento expressivo da bioenergia, energia solar, eólica e demais fontes renováveis. O Brasil está situado numa região com incidência mais vertical dos raios solares, favorecendo elevados índices de irradiação em quase todo o território nacional.

O sol é o caminho

Esse grupo de fatores confere ao país algumas vantagens para o aproveitamento energético do recurso solar. A utilização da energia solar pode trazer benefícios em longo prazo para o país viabilizando o desenvolvimento de regiões remotas onde o custo da eletrificação pela rede convencional é demasiadamente alto, se comparada ao retorno financeiro do investimento. Isso regularia a oferta de energia em situações de estiagem, diminuindo a dependência do mercado de gás natural, carvão mineral e petróleo, reduzindo as emissões de gases poluentes na atmosfera como estabelece a Conferência de Kyoto e ainda conferindo a independência energética das residências comércios e até indústrias.

Enquanto o mundo avança com a produção de energia solar em larga escala, o Brasil deve fechar o ano de 2018 com a marca de 2,4 GW de capacidade instalada. Frente aos 42 GW instalados na Alemanha, pode-se dizer que estamos engatinhando nessa tecnologia, levando em conta que o potencial solar do Brasil é muito maior que o do país europeu. É importante destacar dois pontos neste momento. O primeiro, está ligado à necessidade do país de manter-se numa linha crescente de investimento em energias renováveis, e o segundo, à relevância econômica do investimento nesses sistemas de energia alternativa.


Segundo o Ministério de Minas e Energia, no período de um ano, a geração hidráulica registrou aumento de 3,5% na capacidade instalada, atingindo 102 GW. A fonte eólica cresceu 20,7% e corresponde por 13 GW. A biomassa teve elevação de 3,7% e soma 14,5 GW. A solar, apesar do volume total menor, cresceu 577% em relação aos seus números iniciais e alcançou 1,6 GW agora em 2018 (Boletim de Monitoramento do Sistema Elétrico - Junho 2018). O boletim aponta ainda que houve uma diminuição de 1,8% da capacidade instalada do total das usinas que utilizam petróleo e 0,4% da capacidade total das usinas movidas a carvão. Já a geração distribuída fechou o mês de junho de 2018 com 378 MW instalados em 31.332 unidades, representando 0,2% da matriz de geração de energia elétrica.

O uso da energia solar no mundo já se consolidou como uma importante alternativa para geração de eletricidade. Além de instituições públicas e privadas, que precisam encontrar maneiras de reduzir a poluição e a dependência de combustíveis fósseis para economizar conta de luz, a solução ecologicamente correta também tem atraído cidadãos comuns. A instalação em residências e comércios, por meio da mini e microgeração distribuídas, tem se mostrado um investimento cada vez mais acessível, frente à disparada das tarifas de energia. E você, já tem a sua usina solar instalada?

Victor Braga

Engenheiro Eletricista

Bacharel em Engenharia Elétrica - UFMG.